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Naquela noite era preciso respirar fundo a fim de chegar a atmofera e conseguir ar o suficiente para não se sufocar. O coração estava cheio, os olhos saltavam de agonia, a angústia rasgava o peito com crueldade e o corpo estava tomado por uma inquietação tão grande que ela só queria gritar bem alto e acordar todos os instintos para que eles assistissem incrédulos o massacre. Suas mãos já estavam sujas com o que ela nunca imaginou tocar, e seu corpo a acusava de tal forma que sua mente proferia insultos para silenciá-lo. Então ela pensou, no ápice de sua tragédia – Ela morreria atrás daquela cortina de pensamentos e palavras vazias. Sua cabeça girava sem parar – portas, portões, janelas, escadas, paredes, gritos, sussurros… ah… e um alívio. Era um flash de luz novamente. Então ela desceu dois andares e subiu três, e se jogou entre o oitavo e novo, e desceu mais dois andares… Ela estava perdida entre os números e já passava das nove; e, a meia noite caia, logo alí no meio da dor. Nada mais faz sentido – Gritos, gemidos, falsas promessas, sorriso cínico, olhar perverso, mais uma meia verdade e o gozo cai por terra em um frenesi angustiante e se perde entre um olhar cortante. É mentira, eu sei que é mentira – ela grita por detrás daquela parede, produzindo intensos sussurros, berros e espasmos sonoros. Ela estava ali e eles a avistaram.

Novamente os pensamentos da manhã de primavera, as lembranças – o parque, o banco, as árvores, o verde, o lago e o tempo… Agora, mais um adeus!

Andréia Cardoso

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One response to “ENTRE PAREDES SUJAS”

  1. Avatar de Jose Rodrigues
    Jose Rodrigues

    É.

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