Eu queria lhe dizer algo (…) na verdade ainda escolho as palavras. Neste momento, meus sentimentos estão confusos e me sinto abalada com este misto de sensações. Percorro por entre o ódio e o desprezo; talvez seja pelo fato de gostar tanto de você. Creio que perdi o controle dos meus sentimentos, mas, na verdade, nunca os controlei. Não há nada pior do que esta angústia que me domina. Eu caí por entre sonhos e cultivei pretensões demasiadas. Como pude ser tão ingênua?
Fui vítima dos meus sentimentos. Edifiquei um castelo na areia do mar sem noção arquitetônica. Não havia base para sustentá-lo. Faltou-me destreza. Vieram as ondas e destruíram todos os sonhos e sentimentos. O vento afastou-o para bem longe de onde eu lhe mantinha cativo. Fui tola, mesmo diante de sua face irônica. Ferramentas estúpidas e ineficazes – prumo sem esquadro. Eu fantasiei contra mim um castelo de bruxas.
Onde esteve guardada toda humanidade e compaixão? Chamei e supliquei. Você não pode ouvir. Minha voz não soa tão alto como de costume, talvez tenha tornado amarga aos seus ouvidos. O meu timbre não é mais acalentador. Meu silêncio lhe agrada e meu sofrimento incomoda. É doloroso! As perdas são frias e cruéis.
Vou lhe ser sincera, o ódio que sinto não é de você, é de mim, por ter me deixando envolver tanto em uma relação unilateral. Triste é o fato de ter que reconhecer sentimentos exclusivamente meus. Não há e não houve retorno. Fantasiei um mundo que apenas me interessa! Quanta pretensão!
Permito-me o ódio do fato, do corpo usado, do sentimento desmascarado, das horas pisoteadas (…). Sinto ódio do tempo e dos dias, de ter sido ludibriada e de meus sentimentos se voltarem contra mim. Agora, sofro por algo que eu mesma cultivei com tanto carinho. Como pode um amor ao mesmo tempo unir e separar?
Como você pode ser tão egoísta ao dizer que quer me proteger afastando-me de você? Com essa atitude, você quer apenas se proteger. Assim, estará livre de PROBLEMAS (essa é sua definição). Neste momento, você opta pelo fácil e, sendo simplório demais, pensa somente em você.
Problemas não são suficientemente grandes para justificar abandono, desprezo e falta de atenção. Posso entender perfeitamente quaisquer que sejam os problemas, mas desde que uma comunicação seja estabelecida. Sou um ser que pensa, que vive em sociedade. Sei dos problemas que te afligem como sei dos meus. Não me rotule de insensível e muito menos de insegura, quando na verdade, o que eu sinto é apenas saudade. Não empregue antônimos à SAUDADE, pois ela jamais poderá ser comparada à cobranças. É apenas uma grande SAUDADE.
Quero estar longe do papel de vítima. Não mais me permitirei às súplicas. Desculpe o desabafo! O papel de dramaturga não me seduz. Quero apenas demonstrar que não há distâncias sem perdas e toda vitória tem sacrifícios. O que eu queria apenas era viver, viver com gosto e arte, e fazer do seu mundo o meu, desfrutar apenas do presente e fazer dele um presente. Tenho a certeza que o amanhã não nos pertence.
O amor é algo que precisa ser alimentado, não existe tempo para o amor. O tempo é cruel e no caminho há muitas distrações, mas não podemos esquecer que o importante é lembrar aonde queremos chegar. Lembre-se, sempre, que as certezas não são absolutas e vontades, assim como idéias, mudam, e as certezas deixam de serem certezas de fato. E depois, a única certeza que temos é a certeza da incerteza.
Neste momento posso afirmar que você é apenas aquilo que ouço. Pouco sei de você. Você, para mim, é apenas a sua certeza. Sei que a verdade tem a face que atribuímos à ela.
Eu quero apenas a certeza que posso seguir com meus sentimentos, sem barreiras e sem medo – medo de escolhas. Não quero conviver com sentimentos de perda. Posso afirmar que tenho medo de perder tudo aquilo que conquistei. Você tem espaço em minha vida e ocupa meus pensamentos mais preciosos. Quanta pretensão minha achar que você sentiu e sente o mesmo por mim. Como já disse antes, este mundo fui eu quem criei.
Não sei o que pensar. Chego a acreditar que estou sendo induzida por sensações que não tenho controle, e passo a fazer tudo aquilo que, na verdade, não gostaria. Não sei ao certo quais atitudes devo tomar. Vivo um conflito, se sigo posso lhe perder, se fico, posso não ter mais a chance de seguir com você.
A imagem de está sendo manipulada por seu lado lúdico, como um singelo brinquedo, me machuca. Isso tudo para mim é estranho e confuso. Não bate com horas vivas que tivemos ao lado um do outro. Os fatos não se encaixam. Não quero acreditar que tudo foi uma grande ilusão, fruto das minhas pretensões.
Eu quero a oportunidade de olhar em seus olhos e poder reconhecer em você o que realmente são suas expressões verdadeiras. Não quero o gosto sombrio de um diálogo informal. Acredito que existem meios mais adequados para decisões tão delicadas. A informalidade de suas decisões me assusta. O que acaba me remetendo para mais uma confusão e indefinição de sua personalidade. Sabe de uma coisa? Nada disso condiz com a pessoa que conheço de você. Nestes últimos momentos, você se tornou um novo desconhecido, o qual amo e odeio, sem saber definir precisamente este pêndulo.
Quero estar livre de tudo isso. Vivo um mundo só meu, e todos que estão a minha volta têm sido afetado por esse transtorno que eu criei, fruto dos sentimentos que eu alimentei e você não está sabendo cultivar, o que remete a você uma pequena parcela de culpa. Tudo isso contamina todos e tudo a minha volta. Não tenho o controle necessário sobre as minhas emoções neste momento. Cometi o pecado de achar que você era minha estabilidade sentimental. Achava-me suficientemente forte para enfrentar meu mundo. Você me dava paz, alegria, euforia (…) agora estou aqui num contraste de ódio e tristeza.
Também me culpo por tudo, mas só conseguirei lidar com isso quando estiver olhando em seus olhos. A partir de então, terei a certeza do horizonte que deverei traçar e com traços contínuos seguirei em frente. Não quero o fel de um sentimento autodestrutivo. Preciso de algo que aguce meu paladar. Não quero ser peso pesado de ninguém. Acho que todo amor tem que valer a pena e ser compensador o suficiente para impulsionar uma vida, uma relação, emoções, sentidos e até mesmo uma simples amizade.
O que mais me dói é saber que seus sentimentos nunca me transmitiram a verdade que sempre busquei. Falta-me este conforto, mas, talvez, eu nunca obtenha, porque na verdade não é isso que realmente quero. Eu busco uma relação solidária. Eu preciso de parte e quero ser parte de um todo. Não quero implorar por sentimentos de ninguém. Isso não soa comigo, nem ao menos combina com minha personalidade independente.
Talvez, nunca tenha todas as repostas para minhas inúmeras perguntas. O que posso hoje afirmar, com certeza, é que existiram momentos suficientemente marcantes que ocuparão a minha memória e não se perderão no tempo. Não sei se esta verdade o atingirá. Não sei mais ler você. Deparo-me com uma imparcialidade contrária aos muitos momentos em que você foi previsível.
Hoje, eu não lhe reconheço. Eu consigo, apenas, identificar a minha dor e me permito recordar das alegrias que foram inúmeras. Infelizmente, tenho a sabedoria de afirmar, com certeza, que a felicidade não é uma constante, mas me conforto em saber que a tristeza é momentânea e a dor não irá perdurar para sempre. Tão logo, terei o gosto de apreciar o que há de melhor em toda a felicidade.
E depois, nada é por acaso, e as dores só nos motivam para seguir em frente e transformar pequenos momentos em grandiosos. Antoine-Laurent de Lavoisier com sabedoria disse: “Nada se cria, tudo se transforma”.
Andréia Cardoso
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