Transporta-me para uma outra atmosfera em que eu não possa mais sentir este peso e esta dor que me consomem. Eu sinto uma angústia que me domina e me devora por dentro como se alimentasse uma fera faminta. Eu tento me desvencilhar, mas é impossível. Eu busco forças para seguir em frente e, a cada dia que passa, as minhas forças parecem esgotar-se, fazendo com que eu retorne ao ponto inicial desse ciclo angustiante. Eu já nem sei mais o que faço.
Hoje, as lágrimas rolaram pelo meu rosto como uma torrente. Não consigo contê-las. Está difícil conviver com essa dor. Sinto meu coração cada vez mais dilacerado. Quando penso que estou indo bem, volto atrás. Entenda-me, não é que eu queira viver assim, para mim, viver dessa forma dói demais e está tão ruim.
Preciso de um ponto de fuga, de uma nova perspectiva. Meu Deus, mostre-me um caminho! Sigo uma trilha que não me levará a nenhum destino. Olho para as margens desse curso e as únicas coisas que posso ver estão turvas, conflituosas e disformes. Conceda-me, por favor, um mapa, uma nova trilha a seguir.
Aos poucos eu quero correr contra o tempo e me afastar disso tudo. Meus passos são curtos e contínuos. Eu tento seguir com mais pressa, mas não consigo, algo me puxa para trás. Não sei definir, as palavras me faltam para dimensionar essa sensação, mas eu sinto. Tem uma força que comanda tudo e independe de mim. De uma coisa eu tenho certeza, eu te amo! Desculpe, eu não queria que fosse assim!
Acho que fiz tudo errado. Não me reconheço mais, e cada dia que passa, torno para mim uma nova desconhecida. Já não sou mais previsível. Estou a ponto de sucumbir-me e afogar-me nesse pântano que eu criei. Lagoa vazia, restos de um meio ambiente que não existe mais. O bioma aqui não tem mais ciclos definidos, não seguem mais estações. A primavera não mais estampa com seu colorido esse jardim sem brilho. O verão não acaricia com seus raios solares esse lugar vazio. O outono, com sua paisagem que evidencia um novo ciclo, não é mais permitido. O inverno não chega mais neste lugar e não comporta mais o calor da lareira. Sobra-me apenas esse lugar vazio, frio e cativo na solidão.
Sabe o que mais me dói? É essa distância que se estabeleceu entre nós. É neste vão que estou aprisionada e alimento minha sede com a tristeza que me abate todas as noites. É pela manhã que sinto o vazio do dia anterior. Faltam-me memórias para recordar toda a satisfação das doces palavras e melodias de uma singela música que nos tocava. Dói, dói demais, saber que tudo isso está lá guardado naquelas gavetas esquecidas, onde se guarda tudo aquilo que um dia foi importante. Estou arquivada!
A tristeza me abateu nesses últimos dias e não me contenho. Sinto meu coração clamar por socorro. Ele suplica e inflama, está cada dia mais dilacerado e não cabe mais dentro de mim. Os sentimentos vão se misturando aos meus sofrimentos e aos meus conflitos. Tudo isto me deixa aflita, e como uma nuvem negra, toda essa nostalgia estacionou-se e nubla meus pensamentos. Preciso de luz, de um lugar ao sol, onde eu possa ver o brilho que reluz do seu olhar. Onde eu possa tocar as estrelas, contemplar a lua e sentir a brisa acariciar meu rosto como uma nuvem mansa. Mas eu quero ir além, onde eu possa ver as ondas banharem a praia com emoção. Preciso de um lugar ao sol!
A solidão não tem nome nem hora para chegar. Não anuncia sua chegada nem mesmo a sua partida. Não tem endereço fixo, aproveita uma porta aberta, entra e te domina. Estou em meio a um vão e não vejo a saída. Contemplo o vazio. Eu me vejo perdida.
Estou indo a caminho do meu destino. Preciso de uma porta aberta para que eu possa criar ou mesmo recriar os meus sonhos, sonhos perdidos neste vazio. Sigo por uma passagem que me leva rumo a um labirinto e, de repente, acordo deste pesadelo. Hoje, acordei tão bonita que quase não me reconheci. Começa um novo dia. A solidão não faz parte. Tudo aqui cintila alegria, e é assim que tem que ser. Um novo dia!
Andréia Cardoso
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