Querido Deus,

Perdoai a lamentável condição da minha raça, pois eles tropeçam sem rumo pelo labirinto da existência, enredados pelas sombras dos seus próprios desejos e tomados pela cegueira moral, espiritual e emocional; perdoa meu povo, pois eles não sabem o que estão fazendo ou o fazem com tanto ódio em nome do egoísmo que se esquecem do seu amor. Eles agem como instrumentos de destruição, talhando cicatrizes no corpo da humanidade, da natureza e dos animais, consumidos pela fome insaciável de poder e prazer. Eles envenenam as águas sagradas, matam animais por mera diversão e covardia, queimam as florestas e desencadeiam uma devastação irreversível sobre a nossa Mãe Terra tão sofrida.

Nos olhos sem brilho de crianças inocentes, vejo a cor assombrosa e impiedosa do desespero a cortar corações cheios de esperanças. No olhar das mães, é notável o peso de uma tristeza sem dimensões. As mãos dos homens valentes, filhos e maridos estão calejadas, vazias e desoladas, fatigadas pelo fardo incessante do sofrimento. Os clamores dos homens e animais ecoam pelo vazio, suplicando misericórdia e libertação da crueldade implacável da desumanidade despida de qualquer valor de humanidade. Até o seio da Mãe Natureza está dilacerado e seus gritos abafados pelo tumulto da desolação e da falta de amor. “Todos” estão ocupados demais para ouvir o choro da natureza clamando.

Em meio à tempestade de desolação causada por corações desprovidos de propósito, a harmonia definha, morre a cada instante, deixando em seu rastro uma terra desolada, seca, árida, infértil e desprovida de beleza e benevolência. Os sorrisos inocentes são desfigurados pela sombra do medo, enquanto o suave ritmo da natureza se perde no tumulto da violência e da avareza. Palavras se transformam em armas, gerando ódio, intolerância e manipulação, enquanto o amor é apenas uma ilusão fugaz na busca implacável pelo interesse próprio. A dor torna-se a moeda da existência, negociada de maneira impiedosa entre os “destroços” cheios de crueldade da humanidade. Eles praticamente não se distanciam mais, pois crescem em números cada vez maiores, pisando sobre os que estão tentando emergir. É uma luta desigual.

Estamos feridos, querido Deus, por nos termos desviado do caminho da justiça, abandonando o voto de confiança que nos foi concedido por Ti. No entanto, no abismo do nosso desespero, imploramos a tua misericórdia infinita. Perdoa aqueles que profanam o teu nome, distorcendo a tua vontade divina para servir aos seus próprios desejos vis. Concede-nos a graça de reparar os fragmentos despedaçados do nosso mundo tão ferido, nutrindo as sementes de compaixão e empatia que estão sepultadas e adormecidas em nossas almas. Faça o bem prevalecer sobre o mal.

Meus olhos testemunham a angústia que assola o nosso mundo, meu coração pesa com o fardo da tristeza e da avareza. No entanto, em meio às trevas, um lampejo de esperança brilha desafiadoramente com a última esperança. Com ousadia eu teimo em acreditar que a transformação é possível, que o amor ainda pode vencer o ódio, e que a inocência pode perseverar em meio às adversidades. Conceda-nos a coragem de abraçar a humildade e usar a nossa vontade coletiva para um bem maior.

Guia-nos, querido Deus, pelo caminho da redenção e da iluminação. Ilumina os nossos corações com o brilho da compaixão, para que possamos cuidar das feridas do nosso mundo com ternura e graça. Conduze-nos em direção a um futuro onde a liberdade reine suprema, onde as águas corram puras e a terra seja acariciada com reverência.

Em sua infinita sabedoria, concede-nos a visão para discernir um caminho melhor, para percorrermos o mundo com humildade e reverência, valorizando a santidade da Mãe Natureza, da vida e a essência divina que nos une a todos.

Em súplica,

Andreia Silva

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