
Às vezes, somos amados pelo que não somos. Somos amados pela ideia do que poderíamos ser – a ideia de quem somos, que implantamos na mente e nas emoções do outro. Muitas vezes, somos culpados por despertar um amor falso, pois maquiamos sedutoramente nossos defeitos e desvios de caráter com o que há de bom em nosso próprio ser, aos nossos olhos apenas, e de forma egocêntrica escondemos nossas falhas de tal forma que, para sermos aceitos, apreciados e amados, abrimos mão de ser autênticos e transparentes.
Qual seria o preço e a medida do sucesso de ser amado pelo que realmente somos? Estamos nos apresentando de forma fraudulenta – uma publicidade enganosa do que somos intrinsecamente, nos distanciando daquilo que deveríamos ser verdadeiramente. Seria muito mais simples e valioso sermos nós mesmos na preciosidade do nosso ser individual, pois o amor falso sacrifica a autenticidade.
Assim, deveria ser dito: “Eu amo a ideia de você”, e você ama a “ideia” que eu lhe induzo a ter sobre mim de forma filtrada e manipulada.
Ser amado pelo que não somos pode ser uma ilusão perigosa. Muitas vezes, nos enredamos no tecido de um amor falso, tecido com as expectativas e idealizações dos outros. Escondemos nossos defeitos de caráter e mascaramos nossos desvios, sacrificando nossa autenticidade e identidade em busca de aceitação e afeição, despertando nos outros um amor que é apenas “idealista” e fantasioso.
No entanto, vale a pena questionar o custo desse amor falso e “bem-sucedido”. Estamos nos afastando de nossa verdadeira essência, vivendo uma vida de enganos e faz de conta. O que resta do seu verdadeiro alicerce e identidade?
A verdadeira riqueza reside na autenticidade, em abraçar quem somos, com todo o amontoado das nossas imperfeições – todo o edifício físico, moral, emocional e espiritual. A aceitação genuína e o amor verdadeiro só podem ser encontrados quando nos permitimos ser nosso eu autêntico, despindo-nos de todas as camadas que impedem nosso verdadeiro eu de florescer, valorizando a preciosidade de nossa individualidade.
Eu sou quem eu sou!
Andreia Silva
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