Quero falar sobre sentimentos, sentimentos latejantes, sentimentos que sobrevivem na unilateralidade. Quero falar sobre perdas, sobre dias nublados, dias úmidos, choros e sussurros. Quero falar sobre a partida, sobre retorno, sobre encontros e desencontros, mas, na verdade, talvez eu não fale sobre tudo isso. Falarei apenas sobre os dias que continuam a passar pelos dias e por entre o esquecimento de tudo ou quase tudo.

Sabe aqueles dias em que você acorda e não tem muitas vontades e nem mesmo a simples vontade de levantar-se? É… esses dias parecem não ter fim e o mundo parece não mais lhe pertencer. Você já não cabe em seus dias. Tenta esconder de tudo e de todos, e por mais que você tente fugir, ou se esconder, eles sempre nos encontram.

Tem aqueles dias que parece que você caiu da cama, bateu a cabeça e acordou para a vida. Existem momentos em que você quer apenas se fartar do esquecimento e viver o hoje. Quer emprestada uma outra vida e começar de novo. Você precisa de coisas novas para recriar o presente. 

Quando você acordar, verá que toda a sua vida passou e você ficou apenas pensando no que poderia ter feito ou desfeito, refeito ou simplesmente não fez, por medo ou por mero orgulho. Você passou os dias desejando ser outra pessoa, querendo pertencer a um novo corpo, ser dona de uma nova alma, mesmo que fosse por alguns segundos, mesmo ciente que segundos podem ser transformados em minutos e minutos em horas intermináveis, e tão logo você poderá ser remetida a uma eternidade.

Há aqueles dias em que você quer apenas passar pelo dia, e ficar num cantinho só seu, ou mesmo cultivar o vazio que lhe pertence. Você quer apenas um momento de reflexão para pensar na vida, para sentir o gostinho do ócio e ficar de “BOBEIRA”, na verdade, você quer ter um tempinho para se curtir e se amar.

Tenho certeza que algum dia você quis o gostinho de ficar absorta e se sentiu bem assim, como me sinto agora. Já quis fugir, gritar para o mundo, sem saber que ele pode não prestar atenção. Mesmo não fugindo, e ainda assim, querendo esconder-se, mas não se escondendo e tentando viver a vida como ela é, você seguiu em frente.

Estou certa que estes dias virão e, você estará preparada para fazer tudo ou não fazer nada, novamente. Você levará consigo apenas o que realmente se permitiu viver, respeitando cada minuto, cada decisão unicamente sua, mesmo que dentro de um conflito, mas um conflito egóico, que só você poderia e pode mudar, sem deixar de ser você.

Andréia Silva

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