Já era quase fim de noite, o sono não chegava, e ele se revirava na cama perdido em seus pensamentos. Eram tantas cenas misturadas a uma variedade de emoções de picos altos e baixos. Ele sentia de tudo, mas não sabia mais pelo que mais sentir…

Existia o medo de encarar a solidão, mas o maior medo era estar sozinho e encarar os seus próprios demônios.

Naquela noite o sono não chegava, de qualquer maneira, e ele continuava a se jogar de um lado para o outro da cama tentando fazer com que a mente inquieta parasse com aquele tumultuo de pensamentos, que de longe não fazia quase nenhum sentido, mas que de tempo em tempo o atordoava com os demônios do passado e o revisitava em flashbacks trazendo à tona a realidade dos arrependimentos e dos desejos misturados a um frenesi obscuro e incontrolável.

A angústia tomava de conta em uma mistura sinistra e fora de controle, como se fosse uma fome sem fim e um desejo sem pudor – ali morava o medo do amanhã tão incerto, mas que ao mesmo tempo lhe trazia a certeza das velhas emoções… Era no esgoto precário da mente desonesta, mesquinha e sedenta, que ele, inquieto, buscava uma sensação duradoura em um lugar de emoções passageiras…

Ele sabia que a sua mente desonesta o tornaria cedo ou tarde escravo de uma alma pesada e cansada, mas ele estava tão imerso em tudo aquilo que não fazia mais sentido se aposar de um caráter temporário que não lhe pertencia. Daquele ponto em diante ele já estava cansado de tanta simulação e dissimulação, e não queria mais, ou estava confuso se continuaria atuando naquele paralelo de ser ou não ser – adormeceu…

E, eis mais uma questão para o subsolo da mente.

Andréia Silva

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