Gostaria de saber se Deus vai perdoar o que fazemos uns para com os outros no contexto de maldade intencional. Sei que ninguém pode negar a existência da bondade e da maldade. Levando-se em conta o livre-arbítrio, tudo que fazemos é fruto de nossas escolhas, tornando-nos bons ou maus.

Promessas são feitas de acordo com nossas esperanças, mas apenas cumprimos segundo nossos temores e pretensões. Desta conduta, podemos observar um grau de maldade revestido de interesses que moram ao lado de palavras fundamentadas e de intenções providenciais.

Um sujeito pode disfarçar a maldade interior que é da natureza intrínseca humana; discordando até do ponto de vista filosófico/empirista, que afirma que “todo homem nasce bom, a sociedade é quem o corrompe – Jean Jacques Rousseau”, mas ninguém poderá negar que existe um lado bom e um lado mau neste mesmo sujeito. Ele poderá disfarçar ser apenas bondoso ou poderemos julgá-lo como de um todo mau, todavia, este sempre terá um ponto obscuro que não conseguiremos captar com um simples olhar ou com a mínima convivência.

A bondade nada mais é do que ela mesma, porém a maldade não passa de “bondade” corrompida. Quero dizer que a maldade, se analisarmos afundo, nada mais é que a procura de um bem de maneira distorcida – errada. Ninguém faz o mau simplesmente por crueldade e por certeza de sê-lo mau em seu todo, mas a bondade é feita por ser aceita – correta.

Tanto a bondade quanto a maldade estão dentro de nós. A escolha caberá a nós exercê-la. Os dois sentimentos andam juntos, lado a lado. O caminho escolhido a seguir é fruto sempre de nossas escolhas e caberá dentro das oportunidades que serão essenciais às nossas aspirações.

A crueldade só é praticada com base em sua utilidade, não apenas pelo simples fato de ser cruel. Eu só serei cruel quando tiver alguma pretensão escusa e a única arma que disponho para alcançá-la é a maldade. Triste conclusão, mas o fato sempre estará norteado de interesses.

Pode-se até disfarçar pretensões. Tendo um objetivo duvidoso, eu poderei trajar de bondade um corpo mau e cheio de aspirações negativas. Atrairei para depois manipular, a fim de atender apenas um campo de vontades egocêntricas, voltadas apenas para o EU. Um acontecimento pode a qualquer momento despertar o lado adormecido ou desconhecido que está escondido entre o bem e o mau. Tudo depende do momento e não existem ações que não esperem retorno – “Nenhum almoço é de graça”.

Falam-se tanto de DEUS e sobre a ESPIRITUALIDADE, para rotular o que é BOM e MAU, porém noto que este discurso está preso apenas nas palavras, pois as ações denotam o contrário do que é apregoado. Este Deus tornou-se se objeto do comércio religioso, pois o verdadeiro DEUS é definitivo, aquele está numa relação errada, fazendo um misto entre bondade e maldade. É certo que o mal não faz parte da luz, ambos não se misturam.

Por ter a certeza que nenhum de nós sabe o caminho que leva à Deus, nos permitimos errar, refazer, fazer ou mesmo desfazer, sempre em busca do acerto. Há aqueles que se contentam com a prática do erro e cada vez mais elaboram-se neste caminho.

Incubem a nós, indivíduos que pertencemos a um todo social, analisarmos com prudência nossas rotulagens, quebrando as barreiras do pré-conceito que separam e delimitam grupos sociais, onde a luta de egos nos afastam um dos outros e estabelecem classes dominantes e dominadas, separando os ditadores dos marginais de uma sociedade. Sobram apenas as ações isoladas e o individualismo demarcado por classicistas tão presentes na atualidade. Sobra pouco da bondade, porque eu só posso expressá-la quando estou junto a você. Esta proximidade só se dará depois de estabelecidos elos e uma visão mais humanitária.

Andréia Silva

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