
Meus olhos tentam ir de encontro a minha alma e eu me
distraio pelas ruas das confusões, embora esteja constantemente em busca de
algo mais tênue, de uma novidade, de novos horizontes…
Por vezes,
sinto que é mais fácil pensar em pensar que devo me acostumar a essa nova
realidade(…) Meus pensamentos são tão complexos hoje em dia que me sobram
apenas as indagações e os porquês de tudo, nada mais. Apenas devaneios e
tentativas de recomeços.
É, eu preciso ordenar cada coisa em seu lugar e (…)
os olhos que tenho são grandes e correm rua a fora, contemplam a paisagem
de inverno que roubam a cena, entregando a mim uma doce sensação de que, há
ternura em dias frios também.
São quadros que pinto quase todos os dias quando o tempo concede-me um passe livre pelo quarteirão. Eu me sinto prisioneira dentro do meu próprio mundo. Eu criei
cenários, uma nova rotina (…) não que eu os tenha criado por vontade própria
(…) a vida é assim, sempre uma nova surpresa.
De quando em vez, eu me surpreendo pensando, indagando cada coisa que está fora do lugar e cada coisa que está em
determinado lugar(…) cada pessoa, cada situação, cada dia (…) não sei a
reposta, mas sei que a vida sempre muda todas as perguntas, e o que tenho a
dizer hoje é que cada dia é uma surpresa, um presente, e que para mim, às vezes, é como folhas em
branco…
Quanta ingratidão minha pensar dessa forma, mas enfim, são devaneios, auto-mutilações. Que estúpida estou sendo!
Não devo ter pena de mim, eu sou forte e devo deixar de ser idiota e parar de
chorar, de ser fresca, de ser servil e romântica. Às vezes, eu sou fantasiosa,
isso é um grande defeito. Sonho muito, e ainda acredito no amor, mas…
De que vale um amor se voce não pode vivenciá-lo (…) torná-lo realidade? De que valem as preces se não faz mais sentido suplicar?
De que vale o mar, se voce não pode comtemplá-lo? De que vale uma noite
enluarada, se voce não pode gozar do romance das estrelas? De que vale uma taça
de vinho se você não tem uma companhia?
Comprazo-me
da solidão, que de nada vale…
Andreia Cardoso
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