
Talvez hoje eu não queira mais provar daqueles mesmos sentimentos passados, confusos e sem verdades que torturavam e torturam a minha mente.
Não estou com humor para colocar peças de quebra-cabeça no lugar, pois chega uma hora que ao olhar de cima, numa visão panorâmica, nada se encaixa e o que sobra são somente peças misturadas e totalmente fora de ordem e foco. Simplesmente, nada faz sentido e nenhuma sequência de fatos podem ser enumeradas como verdade ou mentira absoluta, uma vez que, eu não tenho a outra “verdade” e estou aqui, desse lado de cá olhando sob a minha perspectiva. Como dizia o outro: “a verdade têm duas faces”. Não me cabe julgar, enumerar, elucidar, tentar colocar peças no lugar, já que eu não tenho informações suficientes para ter certeza de nada e dar início a qualquer discurso. Eu apenas assumo que eu sei que de nada sei. Você pode me ouvir? Eu não sei de nada, pois nada faz sentido. Está tudo tão embaralhado, embaçado, tão escuro e vazio desse lado de cá… a atmosfera mudou e as plantas morrem fora de lugar… a mobília não faz sentido; os quadros não apresentam a mesma beleza de outrora; a comida perdeu o sabor; já não consigo definir a fragrância do meu perfume; nem mesmo o chá manteve o aroma… Sim, tudo está fora de lugar… eu vejo espaços vazios, paredes nuas, quadros, caixas, canetas e papéis, e tudo fora de lugar… Mas, hoje não era para ser assim, no entanto, eu preciso encontrar uma forma para me tirar dessa confusão e acreditar que tudo vai ser diferente. Tudo está tão diferente daquela primeira noite quando os teus olhos encontraram os meus e o mesmos olhos corriam pelo meu corpo, acariciavam a minha pele com tanta ternura e uma lascívia cheia de pureza que quase doia a alma.
Meu Deus, o que sobreviveu dessa história? Para você eu saio do medo e entro nos portões da minha própria história. Porém, hoje, eu quero mesmo é olhar para a luz que se abre a minha frente trazendo um sentimento nostálgico, porém cheio de esperanças para o próximo segundo diferente ou um amanhã melhor.
Não quero alimentar ilusões, nem mesmo doce ilusões, eu não quero adotar para mim nenhum sentimento de exclusão, de privilégios, ou mesmo sentimentos oriundos da sindrome de vira-lata, pois não preciso de sentimento de pena. Já sobrevivi tantas vezes que aqui neste meu mundo não tem lugar para coitadismo – Aquele sentimento que te chama de excluída, sem títulos ou méritos, jogada ao relento, depositada na lixeira do esquecimento, preterida, desfavorável… Eu não quero ouvir sobre. Eu quero mais. Eu quero entrar pela porta da frente e ter nome de gente, ter sobrenome e pertencer a um mundo de inclusões e aceitação, quero ser vista/notada e não escondida. É fato que ninguém irá salvar-me de mim mesma, pois não existe salvadores Dali em mundo de piratas e a vida está mais para selva do que para a vastidão azul de um oceano de oportunidades. Eu fico aqui com o que eu tenho em mãos, o que para mim é o presente, o meu melhor presente. De fato, o futuro se abre logo ali, e…
Então, uma voz gritava mais alto, lá do andar de cima da felicidade, e era lá que eu gostaria de estar de um jeito mais feliz e em paz! Ser tocada pelos mesmos antigos olhos vivos e sentimentos fortes e de emergência…Ah, se você conseguisse secar cada lágrima. Ah, se você entendesse um pouquinho disso e desse sentimento de perda. Mas o que eu perdi já que eu nunca tive posse de nada?! Que confusão… Sabe? Isso dói, mas a dor não é nada maior do que o prazer de saber que eu estou onde escolhi estar e que dôo o melhor de mim até mesmo quando questionada na minha íntegra condição de sentir, ser realista, ter domínio dos meus sentimentos… ah, como eu gostaria de só ser, ser eu mesma e amar do jeito certo. Até mesmo sofrer e chorar da forma polidamente correta e socialmente aceita por quase todos. Sou mesmo fora de padrão. Como eu gostaria de ser bem recebida e receber aquele olhar de desejo e ternura, aquele olhar amigo e amante, olhar de quem nunca pretende te deixar, olhar de quem te admira e ama o seu jeito de ser, do jeitinho que você é; ama o seu cheiro, ama a forma que seu corpo se movimenta; ama as suas maneiras; ama e compreende seus erros e acertos; ama a sua mente estranha e única e te aceita do jeitinho que você é, com cada detalhe e imperfeições. Porque para ele você é perfeita nas suas imperfeições.
Ah, se amanhã vier e lá e eu puder respirar sem me sufocar, sem ter a voz abafada e por fim só sentir, ser e amar.
Seria tão doce!
“Because we all share an identical need for love, it is possible to feel that anybody we meet, in whatever circumstances, is a brother or sister.” ~ Dalai Lama
Andreia
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