Naquela noite o quarto estava tão vazio que poderia até ouvir o eco da brisa soprar pela janela. Ela olhava para o relógio e já marcavam 2:30 da madrugada e sono não chegava. Logo o sol rasgaria as cortinas trazendo os raios de mais uma manhã, mas para ela as manhãs eram tão sombrias e esquisitas. Nada mais fazia qualquer sentido e sua mente girava do presente ao passado e do passado ao futuro, e no futuro ela não conseguia ver muita coisa, pois tudo estava tão cinza. Então, ela piscou os olhos, olhou para os lados, fechou os olhos e tentou resgatar algumas memórias para um pouco de satisfação… o vento nos cabelos, o frio nas costas seguido daquela ansiedade gostosa para mais um encontro… era primavera e os pássaros cantavam em meio ao verde que vislumbrava tão vívido após um longo inverno. Lá, a frente, a lagoa, dois patinhos desinibidos e o vento nos cabelos… a mesma rotina, as mesmas trilhas, os mesmos jardins, as mesmas árvores que presenciaram cada detalhe, cada beijo, cada abraço, cada promessa, cada emoção, cada oração e cada lágrima… Ah… era como uma caixa de chocolate fino, a cada memória bonita, uma delicada mordida para saborear até o final. Os seus devaneios eram tão doce e suave que a embalava carinhosamente. Ela queria ficar ali naqueles pensamentos e resgatar um pouco mais de emoção, mas o relógio tocava para o despertar de mais um dia. Enfim, a vida continuava…

Andreia

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