De olhos fechados, vagando por entre sonhos, desejos nunca sentidos, súplicas jamais atendidas, Ana viajava em seus pensamentos, e lá…

Então, era um exercício constante, mas eles com zelo organizavam suas agendas de forma que pudessem estar juntos sempre que possível. Quando estavam fisicamente separados, eram totalmente leais, mantinham comunicação por telefone e falavam um com o outro pelo menos quatro ou cinco vezes por dia. Era quase um exagero de tanto amor e urgência! Ele era o melhor amigo que ela já tivera; era o amor oprimido que agora passara a ser doado com ternura; ele era o amor paternal que nunca havia sido suprido; ele era o pai constante e forte que ela fantasiava ter e ela o perdera; ou mesmo como ela recordava de tempo em tempo, ele era o pai presente que ela nunca teve; ele era simplesmente o sopro de vida no corpo cansado e único que ela tanto amava e desejava; ele a melhor escolha que ela já fizera; ele era imperfeito, mas eles se completavam tão perfeitamente entre as imperfeições. Ele simplesmente era o seu elixir!

Mutualmente, eles se adoravam com tanto aceitação que até doía, e esse afeto era tão evidente que quase podia ser tocado pela ternura dos olhos de quem os observassem. Esses mesmos olhos que quando cruzavam evidenciavam um poço profundo de emoções tão ardentes, puras, sensuais e intensas, que mal cabiam neles e até tocavam àqueles à volta. Cada beijo era como se fosse o primeiro, cada toque mantinha a mesma intenção e intensidade ansiosa, sedenta e provocante do primeiro instante que se viram nos braços um do outro.

Era tudo tão perfeito que quase não os pertenciam, por ser tão desconhecido, novo e autêntico.

E, como se jamais fossem indiferentes, como um só espírito, um só desejo, um só corpo, eles se amavam só pelo simples fato de se permitirem e se escolherem todos os dias como a pessoa certa um para o outro.

Andreia Silva

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