Ela aprendeu que não era preciso mais ter medo do escuro porque ela sempre teria a luz dele para direcioná-la em qualquer caminho que ela seguisse.
Eram sensações tão únicas que antes mesmo delas se apresentarem já tinham sido sentidas e ainda assim era um desejo casto na sua pureza! Em seguida, tê-las novamente, era a única esperança, até que não pudessem mais sentir a respiração e ter seus desejos sob a égide do amor. E, seus lábios seriam tocados pelas palavras que acariciam a alma e assim as reproduziriam com ternura.
Eles não tinham resposta, mas tinham perguntas eternas sobre o mistério que criara aquelas conexões poderosas, aquelas que poderiam ser vistas mesmo não tendo olhos, que poderiam ser ouvidas mesmo não tendo som, que poderiam ser abraçadas mesmo não estando em seus braços; as emoções estavam naquelas vidas como se elas sempre estivessem lá. E ele roubou dela os seus pares de olhos e passou a ver o mundo pela mesma janela. Mas havia dias que eram escuros e frios, dias de trevas, dias de medo, dias de chuvas, dias de dúvidas; mas ainda sim tinham esperanças de dias de sol, e o amanhã não os pertenciam, mas estavam ali estendido para o querer e para o presente.
E agora, ele também falava as línguas dos anjos e ela aprendeu a controlar os seus medos e demônios, porém o seu tom ainda tomava forma, mas ele podia compreendê-la, tocar suas emoções e sentir-las tomando dimensões em suas mãos. E o seu rosto reluzia toda a ternura que por alquimia fora criada, mas era como se ela sempre estivera ali como uma classe especial e parte da nobreza.
Ele ainda precisa de um tempo, mesmo que fosse hoje, amanhã ou depois, mas de um novo tempo; e ela precisava absolver as emoções e a essência, pois ele estava perdendo o juízo, estava beirando a loucura e não seria repetitivo dizer novamente, como em uma oração – ele estava perdendo o juízo; mas que Deus o mantenha lúcido, porque tudo soava tão bem que era como se fosse miragens ou alucinações, era uma loucura tão agoniante mas confortante, e perguntas iriam surgindo sem respostas; como se fosse possível prever o amanhã. Ela se questionava: – Será que vamos manter a sinfonia de uma orquestra? Será que o piano não vai se calar? Será que a música vai afogar nosso mundo? Será que o vinho não se transformará em vinagre? Será que haverá uma unificação? Será que o sorriso não se transfornará em lágrimas tristes? Será que vão macular a nossa emoção? Será que as notas do amor serão reveladas? Eram tantas possibilidades e ele não media mais as batidas do seu coração, mas como um anjo atento, sua alma falava profundamente ao coração dela e não havia mais medo do escuro.
Andreia Silva

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