“Sou um homem doente… Um homem mau. Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado. Aliás, não entendo níquel da minha doença e não sei, ao certo, do que estou sofrendo. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Ademais sou supersticioso ao extremo; bem, ao menos o bastante para respeitar a medicina. (…) Não, se não quero me tratar, é apenas de raiva.(…) sou o primeiro a reconhecer que, com tudo isto, só me prejudicarei a mim mesmo e a mais ninguém. Mas, apesar de tudo, não me trato por uma questão de raiva. Se me dói o fígado, que doa ainda mais.

Já faz muito tempo que vivo assim: uns vinte anos” (Dostoiévski, 1864, p.15).

“Ah, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria! E há o que dizer sobre mim? (…) Eu seria, então, por direito, membro do clube mais importante, e minha única ocupação seria passar todo o tempo me respeitando.”

“Juro-vos senhores, que uma consciência muito perspicaz é uma doença, uma doença autêntica, completa. Para o uso cotidiano, seria mais do que suficiente a consciência humana comum, isto é, a metade, um quarto a menos da porção que cabe a um homem instruído do nosso infeliz século dezenove e que tenha, além disso, a infelicidade de habitar Pertersburgo, a cidade mais abstrata e meditativa de todo o globo terrestre. Pág. 18”

“E, mesmo que a nossa vida pareça às vezes bem ruinzinha (…), ela é vida, apesar de tudo, e não apenas a extração de uma raiz quadrada.”

“Dois e dois são quatro olha para você com ar petulante, fica no meio do seu caminho com as mãos na cintura e cospe pro lado.”

 

 

Avatar de andreiass7.ca

Published by

Categories:

Deixe um comentário