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Às vezes, eu me vangloriava por estar sinceramente arrependida, mas estou ciente que existem tentações que a natureza humana não tem poder de resistir e quando se está pressionado pelo desejo não se pode calcular o que acontecerá. A falta de domínio próprio é a pior das desgraças, disso eu tenho certeza, mas refletir antes de agir pode ser o primeiro passo no caminho do inferno para o céu.

Estou certa também que o estado de confusão que afeta a alma e que deixa o caráter enrijecido não passa de uma falta de reflexão e mera privação do pensamento; todo aquele que estabelecer um tempo para reflexão ajudará a si próprio e curará as suas feridas. Contudo, se não houver um sinal de boa intenção, reconhecimento do erro e perspectiva de mudança, de nada valerá qualquer esforço, pois toda essa manifestação de introspecção não passará apenas de mero desconforto e devaneios superficialmente reflexivos – nada que toque a alma.

Desequilíbrio, arrogância ou auto-flagelo? Sim, talvez. Mas antes de me orgulhar do fato de ser “melhor e auto-confiante” eu devo dizer quem eu sou. Talvez eu seja mesmo uma farsa, uma máscara, uma personagem ou mesmo uma cópia fajuta que quer convencer, impressionar, dissimular e ser indiferente em um tempo oportuno.

Na verdade, eu sou mesmo uma “adúltera” nessa minha condição de negação. Eu me escondo desde que nasci e assim comecei a desprogramar os meus desejos e deixar de lado parte dos meus instintos primitivos. Agora eu me vejo aqui tentando copiar o que a sociedade espera de mim. Sim, claro, eu devo ser polida, justa, boa amiga, interativa, bem-sucedida, boa mãe, devo selecionar minhas palavras e controlar meus ímpetos e paixão pelos jargões – Simplesmente andar em uma fila. Ah! Como eu eu gosto da oralidade e do som de algumas palavras “taxativamente proibidas”, pois elas expressam o meu ânimo tão bem – e eu, sinceramente, adoro verbalizar!

Ah, sim! Mas eu quero ser eu e não o que esperam de mim. Eu quero ter voz e mostrar a minha face sem disfarces.

Voltando a quem eu sou, eu já não me importo mais, pois eu não quero ser mais nada que não caiba na minha mão e que eu possa conduzir sem medo, sem artifícios. Eu preciso relaxar e me aceitar!

Hey, eu tenho um nome, você sabia?! Claro, todos têm um nome. Mas onde mesmo eu estou por trás do meu nome? Qual a minha verdadeira identidade, se é que eu ainda exista e tenha uma? Mais uma fachada! Eu estou sempre tentando me esconder e minha cabeça dói porque eu não sei mais controlar esse monte de informações que eu criei para meu bel prazer. Esse é meu vício – mentira!

Eu tenho que administrar logisticamente minhas personagens e cada uma tem uma “estúpida” personalidade o que me concede um trabalho dobrado. Esse é o problema de viver na “mentira”, pois você sempre precisa de uma mentira nova para encobrir a outra. Acaba que você vive em um ciclo vicioso e nunca relaxa. Grita, vai! Diz para todo mundo o que você tem para dizer, mas você não tem coragem, eu sei. Estou aqui insultando eu mesma. Risos…

E quem de nós dois vai dizer que impossível?! Então vamos gritar pro mundo e dizer que nós prestamos atenção; que podemos ser melhores e que na próxima estação nossas roupas serão novas e não usaremos máscaras! Sabe, eu acredito, eu acredito, eu acredito e sei que se eu acreditar tudo vai mudar.

Sinceramente, eu estou arrependida por estar onde estou, mas daqui eu posso ver um horizonte lindo à espera de nós dois, onde tem um passarinho que canta todos os dias e a noite nossa coruja está na janela para nos relembrar que somos sábios; a noite é nossa por sabedoria.

Não há mais quartos vazios em nosso mundo, pois criamos juntos uma sala onde podemos debater nossos medos, enxotar nossos monstros e onde nossa fé é nosso guia. Aqui andamos sem máscaras ou qualquer disfarce, pois não precisamos disso, porque amparamos um ao outro no nosso dueto e a sinfonia é tão bela que surreal seria afirmar que isso não existe!

Obrigada por existir e juntos poderemos nos descomplicar!

Andreia Silva

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