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Ainda me lembro que outro dia você apareceu em meu sonho e estava tão lindo com seu sorriso tímido e olhar penetrante, e eu ali repousada em seus braços. Ah… Eu jamais queria acordar desse sonho. Mas agora tudo está tão distante, diferente, e o céu está longe de nós. Por esses dias eu choro muito e em súplicas eu pergunto ao bondoso Deus o por quê desse amor se eu não posso tê-lo. Por que, meu Deus? Hoje, o sentimento que fica, é como um sonho ruim que eu jamais queria fazer parte. É só pensar e me vem essa onda de suor frio a me dominar. Estou tão para baixo nesses últimos dias; não consigo olhar para cima e ver qualquer luz que possa iluminar esse escuro que me assola. É como se eu não tivesse o direito de ser feliz. Que droga! Chega de dias escuros e nublados. Deve ser algum pagamento… Sei lá; talvez um Karma que influência o meu futuro de forma tão individual e cortante. Estou mesmo cansada de estar aqui nesse mundo de mentiras e faz de contas, onde ninguém toca a alma de ninguém, e poucos na verdade se importam com você. Onde foi parar o meu quantum no meio de toda essa interação? Meu Deus, quanta agonia. Todos vivem de forma tão superficial e quando se deparam com algo genuíno são incapazes de acreditar, tocar e sentir o quanto isso pode ser belo. O mundo pode ser bonito. Cara, por que tudo tem que ser assim? Não vou jamais usar um vocabulário de baixo calão, mesmo que eu me indigne, mas basta de tanta confusão. Mas quem disse que a felicidade vem de forma instantânea? Nada vai chegar perfeitamente moldado de forma que tudo se encaixe como em um quebra-cabeça com peças iguais e da mesma cor. É preciso ter paciência e sabedoria para segurar tudo aquilo que alimenta a alma e faz sentido. E, eu conheço bem o significado da palavra persistência, no entanto, acaba que sempre escolhemos o caminho mais fácil, assim como o amor mais fácil, o emprego mais fácil, e tudo que é atrativamente fácil, e acabamos caindo novamente no meio da maioria e vivendo sem conhecer o caminho das rochas e as outras trilhas, pois nos faltam coragem para enfrentar nossos próprios medos e sem luta é impossível vencer os nossos monstros que sempre irão nos perseguir dentro da nossa caixa. Pensar fora da caixa faz muito mais sentido! Será que eu preciso desenhar o conflito que eu me encontro?! Ah… é um ato de caminhar para trás e relembrar tudo. Todas aquelas emoções… Na verdade eu estou aqui tentando me convencer que existe um outro lado, que envolve um outro cenário, mas que também existe as duas faces da moeda que não é apenas minha escolha – sim, eu o amo e não posso negar, nem mesmo dentro ou fora caixa! E, vai ser sempre assim, como na última primavera. Acho que estou confusa e já não faço mais sentido como antes do verão. Oh, meu Deus, porque tudo tem quer assim?! Eu sinto o frio do outono e sei que o inverno está logo ali. Olho para o lado, como sempre a minha cama está vazia e um vento frio assopra solidão da janela do meu quarto. Essas são minhas estações! Lá fora eles caminham de um lado para o outro e todos têm sua rotina, seus anseios, medos, família, seus pares… Não vou falar sobre os “pares”, porque isso sempre me emociona. Por quê? Sabe, eu sinto falta disso, mas sei que não se monta quebra-cabeça com peças incompletas, e o que não se encaixa, não encaixa, definitivamente. Bem, naquele dia eu poderia ter apenas segurado a tua mão, trocado meias palavras e ter ido embora, mas ali era a metade do caminho, era a certeza do que o meu coração sempre soube – eu amo você e não posso negar! Pode até parecer piegas, mas é mesmo aquele lance de “soulmate”. Demorei muito para acreditar nisso até meus olhos encontrarem os seus. Oh, meu Deus, tende piedade de mim, pois essas memórias vêm como onda do mar, ora me afagam, ora me castigam profundamente. Eu só sei de uma coisa: nada se compara a você; não é nenhum sacrifício; não é um discurso de meias palavras; não é obsessão; não é nada pelo averso… Eu estou toda aqui, completamente imersa nisso tudo. O que aconteceu comigo? Sim, deixa eu olhar para o lado, balançar a cabeça e tentar afastar toda essa melancolia, pois tudo passa, tudo passa, não é? Vou saindo aos poucos pela tangente! Preciso de um lugar ao sol!

Andreia Silva

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