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Queria que em um dia imprevisível, você chegasse de mansinho, me abraçasse com carinho e dissesse: Senti sua falta e preciso de você.
É… Quando você se apega a alguém e inclui essa pessoa em seus sonhos, de tal maneira que é impossível não buscar por ela em cada caminho que você vier a trilhar; você pode se perder. Você se perde nas memórias, nos sonhos, nas ilusões, nas fantasias, nos cheiros, nos gostos, nas sensações que te castigam… Você se perde em você mesmo e em tudo que o imaginário foi capaz de criar, recriar, moldar e até mesmo reinventar. Isso tudo martiriza sua mente de tal forma que o corpo reclama e a alma grita em agonia por um desejo desesperador. Sufocada, sai afora em busca de qualquer sensação que possa ludibriar a mente. Sim, eu poderia te sufocar até o último suspiro. Esse seria o meu castigo. Sim… Profundamente, vagarosamente, uma vez mais, ainda mais intenso, ainda em movimento, o seu coração batendo contra meu corpo como se fosse um só. Inundado em brilho, esvai-se em lágrimas, em rios de suor, contrastes de sorrisos e, enfim, suspiros e sussurros… Você ali, desprotegido, nú, estendido em lençóis brancos e molhados… Ah!… O sul da França não estaria tão longe! Em um campo qualquer ao sul, repleto de margaridas, ao vislumbre da relva fresca, meu desejo inóspito vaga ao vento; sinto as cordas do meu coração sendo puxadas bruscamente em agonia… E, perto de qualquer delírio e sentimento, um suspiro de alívio, quente, morno, contra meu corpo ao vento, corre sem deixar em branco qualquer paisagem ou devaneio; seu corpo estremece em uma onda de agonia… Eu sorrio, é claro, pois o prazer é todo meu e tão grandioso, rígido, forte, que você mal cabe em si e em mim. Mais um suspiro… Eu te domino em um frenesi que jamais qualquer noite de Natal nebulosa e fria seria capaz de aquietar… E o sonho esvai-se como uma onda tensa pós masturbação e o seu egoísmo te esgota. Ah… Era apenas um devaneio ao topo de um abdômen liso e rígido, correndo por entre dedos em direção a um peitoral imponente, moldado e tênue… Não tinha saída, pois se eu ficasse o desejo me tomava e se eu corresse a saudade me matava… Mais um suspiro e eu acordo.

Andréia Cardoso

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