Viver não é uma tarefa fácil, mas, para cumprir nossa jornada por aqui, é preciso ter garra pela vida e viver um dia de cada vez. É preciso, também, aceitar a vida na sua condição cíclica, levando em conta que tudo o que você fizer vai voltar para você. Darás e receberás, essa é a lei do universo, deixando de lado, é claro, toda aquela questão supersticiosa, mas acreditando nesta lei que a todo tempo conspira a vosso favor.
Em algum momento, você vai se deparar com o medo, com a solidão, com o descaso, com a falta de comunicação, com o julgamento das pessoas, com a futilidade, com a indiferença, com a loucura, com a mentira, com a avareza, enfim, com todos aqueles sentimentos e ações de gosto amargo. Em determinados momentos, você vai se questionar: O que eu faço aqui? Será mesmo que sou parte disso tudo?
Você já teve a impressão de ser uma peça a mais do jogo? Pois é, essas e outras indagações nos perturbam e, por vezes, nos roubam a paz já que não nos acostumamos mais a esse mundo que tem se tornado tão estranho a cada dia e aparenta não mais nos pertencer. Parece até que é preciso entender de malabarismo para executar tantos movimentos bruscos e novos, mas uma hora o corpo cansa, a mente cansa, a alma grita, os dias começam nublar, o medo chega, o sorriso perde o brilho, o coração parece saltar à boca e não obedece mais os compassos. Você perde o paladar, as mãos suam, os seus olhos já não captam as mesmas nuances de outrora. Você perde a esperança. O corpo reclama alertando que é hora de parar e rever conceitos, diminuir os padrões, os critérios e aceitar que nem tudo sairá sempre como planejado ou mesmo atenderá nossas expectativas que, por vezes, são elevadíssimas. Chega-se ao ponto que ou você retrocede ou conduz-se à ascendência – estado aquele de elevação, na qual você é capaz de olhar o próximo, não como um rival, um credo, um status, uma cor de pele, mas como um igual, tanto na condição de humano e de espírito como na de um ser que emana luz, sendo merecedor de amor e cuidado. Aqui começa o primeiro passo para o estado de elevação onde é dando que se recebe; entrando naquele mesmo sentido da lei do universo, onde tudo conspira a seu favor quando você se compromete em fazer o bem incondicionalmente.
Você vai se questionar: O que há de errado com a minha estrada e com a leitura que eu faço do próximo sem ponderação? Não estaria eu sendo cruel? Onde foi parar a esperança, o contentamento, a simplicidade, o valor de um sorriso, o compromisso, a tolerância, a dignidade, o amor, o zelo (…)? É neste momento de resiliência que você descobre o valor e a razão de estar vivo porque simplesmente todos nós temos uma missão a cumprir e um papel a representar neste teatro da vida.
Será desse ponto adiante que algumas indagações se fazem necessárias: Como você gostaria de ser lembrado ao partir desse mundo? Você se emocionaria com a sua própria história? Você teria admiração pelo personagem que você representa? Você dá o melhor de si? Você calça as sandálias do próximo? Você vive ou sobrevive? Você faz por merecer o lugar que ocupa no mundo?
Que venhamos a nos comprometer conosco de tal forma que o nosso compromisso seja apenas dar o melhor de nós ao próximo e a nós mesmos, sem distinção de natureza, cor, credo, afinidade (…)
Viver exige compromisso com o bem sem olhar a quem!
Andréia Cardoso
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