Em um mundo de “milagres” e buscas, eu vivo a ilusão de ser feliz por um dia. Corro em busca de tudo atraída pelo magnetismo do desejo do novo, do sonho e da mudança. Eu vejo prédios e um horizonte. Eu vejo.

Eu costumava pensar e questionar. Meus pensamentos não tinham fronteiras e eu caminhava sem medo, sem preconceitos. Ninguém roubava os meus sonhos. Ninguém rotulava meus pensamentos e ilusões. Era verdade… eu também tinha a mentira, mas quase tudo era verdade.

Eu queria caminhar com desejo de chegar a qualquer lugar bom e encontrar um pouco de ilusão que durasse pelo menos um instante único, mas que me fizesse bem, me fizesse bem.

Ah! Agora minha mente me confunde – miragens, mãos atadas e eu no topo de um prédio. Estou vacilando de um lado para outro.

Eu os vejo correndo por todos os lados. Grandes e pequenos, eles me devoram.

Eles olham para cima e não me vêem. Eles não acreditam mais, porém eu vou cair e, assim, pegar um impulso para subir e olhar, de lá, os meus sonhos e a minha ilusão.

Sinto falta de mim mesma. Eu me perdi.

Meus sonhos eram mais interessantes. A comida era melhor. Dormir era reparador. Acordar era sinônimo de ânimo. A luz era ainda mais cintilante. O sol gargalhava em meio aos sorrisos. Cada cor era mais forte e viva. Agora está tudo embassado, sem gosto, sem frescor, sem descanso, sem alegria, sem brilho…

Minha memória me entrega ao passado só para me torturar. Eu olho por trás dos ombros e vejo quão bom era o passado, quão bom eram as sensações, mas elas se foram. O vento passou , uuuuuuuf… Eu já não sinto mais a ingenuidade de ser simples, de ser eu mesma.

Eu mudei e minhas pernas ainda estão comigo a caminhar, não para retroceder, mas para caminhar rumo a um novo horizonte que surge em meio aos restos mortais de memórias vivas e sem reação, que estão condenadas ao esquecimento.

Com uma força incomum, eu caminho como uma andarilha pelos trilhos da vida em meio a restos de ilusões. E os dias se vão….

Eu tenho nojo dos passantes desfigurados que me olham e me atormentam. Eu calço as sandálias do frio e do medo. Caminho sem direção nas alturas mais perigosas, tentando alcançar alguma coisa que caiba na minha mão e que esteja por trás daquele mundo de sonhos. Nos meus sonhos as criaturas que surgem são andarilhos sem nomes.

Por desejos e ambição, eu virei prisioneira de um pesadelo de ilusões. Num processo de insatisfação entrego-me e… minhas costas cansadas carregam meus sonhos quebrados. Meus olhos fixam um horizonte craqueado e infindável. Não há satisfação. Restam sonhos sem limites e, neste vão,  tudo perdeu o significado. Eu me vejo no meio do pesadelo e, em preto e branco, eu vejo seres sem face. São bonitos, mas não tem face. Eu não consigo olhar suas costas. Eles não têm alma. Nada mais são que  vendedores de ilusões.

Não acredito mais nos belos que possuem bonitos discursos e em promessas fáceis. Eu aprendi a não acreditar com a intenção de crer que um dia eu possa ser só, só eu… e olhar para dentro para ouvir aquela voz que falava baixinho e me orientava.

Meus sapatos já não são usados como deveriam. Eles caminham por terrenos sem endereço ou significado, levando-me  para um novo cenário. Eu vejo rostos, torturadores de mentes, gente estúpida, idiotas por todos os lados e anjos que têm suas mãos atadas. Eu vejo e as coisas se vão…

Os sonhos vêm e são trocados por ilusões sem limites, falta de sentidos, circulo e imaginação.

O vento continua ali, dando pose aos cabelos que caminham sem direção. As mentes que estão cheia de nada ocupam vários lugares. Torturadores sem ocupação vendem ilusões, mas estarão  destinados a morrer. Eu matei muitos com meu ódio e minha indiferença. Eu matei e me tornei fria e sádica.

Não é nada! Não é maldade, não é bondade, não é irreverência ou uma questão de sorte. É apenas uma razão para viver. Passageira de um sonho impulsionada pelo vazio… e as coisas se vão. Uma coletora de ilusão, apenas sou.

 Andréia Silva

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