Vou tentar ordenar as palavras para que elas não ecoem tão alto. Para que elas fiquem apenas impregnadas em seus jazigos, em memórias de sentimentos incólumes.

Que estas palavras, que emanam da minha mente, demonstrem apenas os sentimentos de um cemitério de idéias mortas, covas empoeiradas e jazigos quebrados, cenário cinzento com um pouco do contraste de plantinhas ao redor. 

É que todo dia 2 de novembro estão lá os devotos naquela romaria. Já viu, não é! Alguns são lembrados não pelo que são, mas sim pelo que foram. Não quero ter valor depois da morte. Ouçam-me, aqui ainda estou eu.

Têm aquelas pessoas que em novembro fazem visitas no tal dia 2, só que elas não pintam as covas, não porque não podem retirar os ossos, mas porque o tempo e o dinheiro têm outras ocupações. Esqueceram seus mortos. O tempo faz isso!

Eu, querido, vou à capela da minha memória velar pelas paixões passadas, eu faço delas o meu muro de lamentações. Como elas têm portas em demasia, apenas uma me leva a um jazigo de almas que me fazem calar enquanto eu falo, por isso, te escrevo e te peço compreensão. A sua em especial!

Andréia Cardoso

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