O que poderíamos chamar de amizade? Eu não saberia responder, mas amigos surgem e desaparecem como num piscar de olhos. Eles entram em nossas vidas que quase sempre estão de portas abertas. Dominam nossas emoções com brandura e, por vezes, com inveja. Instigam-nos ora para o bem, e ora para o mal. Nos afundam e levantam, nos consolam e castigam…

A vida é uma longa estrada a seguir que nos conduz às relações pessoais e, num processo interativo, surgem os vínculos humanos, trazendo em mãos um amigo. Alguns estarão ao nosso lado independente de qualquer situação. Eles nos estenderão a mão e ajudarão a levar um pouco da nossa cruz. Porém, há amigos e amigos. Outros tantos serão apenas meros oportunistas.

É certo que as verdadeiras amizades ficaram marcadas na infância, onde nossos corações ainda não eram afetados pelos sentimentos da maldade, dissimulação, interesses vis… O perdão é o simbolismo maior dessa fase.

A maturidade trás o orgulho e nos afastam do perdão, do cordialismo, da bondade e de toda simplicidade de um afeto verdadeiro. Passamos a ter amigos apenas quando estamos bem, caso contrário, eles se vão assim como surgiram.

Por vezes, passamos a preferir não ter um grande número de amigos para não ter que sofrer com as partidas. Preferimos viver no mundo do coleguismo, um mundo faticamente rotativo, o que nos beneficia pelo estado de consciência que essas relações serão passageiras, fazendo com que sejamos mais contidos e defensivos, reforçando a tese de que as amizades norteiam toda a troca de interesses, podendo ser positiva ou negativa. Dependerá muito das pretensões iniciais, se eivadas de bondade, este ser triunfará em meio a um mundo de predadores egocêntricos.

Na maioria das vezes amigos só serão amigos até o momento que os interessam, até o momento em que você pode contribuir de alguma forma para eles, seja por uma satisfação pessoal para preencher alguma lacuna ou, até mesmo, pelo oportunismo. Não importam se do outro lado existe outra pessoa com boas pretensões, dotadas de sentimentos e emoções.

Infelizmente, as frustrações surgem quando os “amigos” viram as costas, apenas pelo simples fato de terem alcançando seus interesses escusos, o que significa que não existiu amizade. O coleguismo mais uma vez traz toda a mágoa do desprezo e da partida. É muita pretensão para pouca cumplicidade.

“Amigos” viram o grande senhor ser crucificado, evidenciando o maior grau de decadência da amizade humana. Quem se propôs a ser crucificado em seu lugar? Onde estavam os amigos? Simão Cirineu foi amigo ao ajudá-lo a carregar a cruz até o calvário. Quantos amigos assim vamos encontrar ao longo de nossas vidas?

Bom! De amigos são feitos vários inimigos.

Andréia Silva Cardoso

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