Podemos dizer adeus a muitas coisas, mas esse mundo sempre estará em nós.  Podemos dizer adeus à família, aos amigos, aos construtos sociais e convenções e, ainda assim, carregá-los em nosso interior, em nossa memória, em nossos corações e sangue, pois o mundo vive dentro de nós e não apenas vivemos neste mundo como sobreviventes.

Crescemos, amadurecemos e na medida em que nos tornamos adultos dizemos adeus à juventude que um dia disse adeus à infância e esta, por sua vez, também disse adeus a muitas outras fases, até mesmo a passados desconhecidos – uma vez que – há muito a saber sobre os mistérios que existem entre os céus e a terra.

É certo que algumas pessoas não se desvinculam das fases de desenvolvimento (juventude e consciência adulta), estagnam ou acabam por mesclar desarticuladamente as duas. Risos… (são caricaturas de adolescentes e muitas vezes até de si mesmo).

A evolução do desenvolvimento ocorre para quebrar com a rotina. Cada fase tem suas peculiaridades e sua beleza. Cabe a nós desfrutarmos da melhor maneira possível, aproveitando cada segundo para fazer dela toda a diferença.

Continuamos dizendo adeus a muitas outras oportunidades que a vida nos empresta. Dizemos adeus aos traumas, às angustias, às tristezas, ao pessimismo, ao desprezo, à incompreensão, ao egoísmo, enfim, dizemos adeus a tudo aquilo que de alguma forma nos incomoda, mas apenas fazemos isso por sermos conhecedores da bondade. E, por um ato de bondade, colocaremos fim aos sentimentos autodestrutivos, passando a olhar a vida sob uma nova perspectiva.

A vida deixa o corpo em um ato de adeus quando este se encontra incomodado com o físico doente, e assim vai… Deus, como sábio conhecedor do humano, concedeu-nos um privilégio providencial – o esquecimento. Já imaginou se não usufruirmos desse subterfúgio? Quão ranzinzas não seríamos!

A morte é o adeus mais cruel que temos a oferecer a uma vida terrena. Vale frisar que a morte, por vezes, funciona como descanso a um corpo padecido e enfermo. A quem cabe roubar uma morte digna? (Neste tópico caberiam discussões maiores, ficaremos por aqui). Em um ato de sabedoria divina, vem o esquecimento parcial das perdas, que nos servirá como atenuante e acalentador. Sábio Deus!

O aporte maior de um adeus é aquele que oferecemos a um passado carregado e castigado. Partindo desse ponto, daremos início às boas vindas e aos sonhos. O que seria de nós sem os sonhos?

Andréia Cardoso

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