Tenho um corpo figurado, porém, não sou apenas o meu corpo físico. Eu possuo sentimentos. Posso ver e sentir o meu ser. E tudo aquilo que pode ser sentido não é verdadeiramente apenas visto. Eu sou um ser. Eu sou parte.

Em um corpo cansado posso estar excitada, apreensiva, fria, extasiada, doente ou saudável. Posso ser peso pesado ou levemente sutil. Sou fogo aceso ou apenas o gelo da falta de um desejo. Sou fria. No entanto, nada disso tem completa relação com meu íntimo, pois eu não sou apenas o meu corpo.

Tenho uma gama de desejos, mas não sou apenas desejos. Ainda posso controlá-los. Nem tudo aquilo que é percebido é verdadeiramente notado.
Desejos são cíclicos, flutuam através dos sentidos e da percepção, mas eles não me controlam. Não sou apenas desejos, somente os possuo.

Tenho emoções variadas, mas não sou apenas minhas doces emoções e muito menos feita da totalidade das vis. Sinto todas elas, porém não sou a verdadeira controladora delas e do seu verdadeiro sentido. Essas emoções apenas passam pelo meu corpo e mente, não descompassam o meu interior – a minha essência.

Pensamentos, eu os tenho, mas não sou totalidade de pensamentos. Eu apenas os possuo e posso direcioná-los, porém, não tenho total controle sobre eles. Eles vêem e vão quando bem entendem. Cultivo alguns por prioridades, mas eles não afetam o meu caráter e forma de pensar. Sou centro de percepções. Sou o que fica – o definitivo. Sou ser imparcial dessa relação. Sou vítima.

Andréia Cardoso

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