Andei refletindo e cheguei à conclusão que nunca fui tão cuidadosa com o que desejo, porém acredito que deveria dar importância ainda maior, porque, às vezes, preciso de ar e não encontro. Meus desejos me sufocam.
O que me refresca é saber que um dia irei vasculhar a memória e afirmar com certeza que, no final, tudo valeu à pena e a vitória foi minha. E depois, experiências sempre somam, ao passo que a falta delas, por vezes, tornam-se indiferentes.
Quero concluir, tendo a certeza que eu não preciso que todos me achem bonita ou inteligente ou até mesmo inteligentemente bonita. Falta-me um pouco de ironia e senso de humor para lidar com isso. O rótulo da beleza me castiga. Existe algo por detrás de um simples espelho.
Lembro-me bem que não sei fazer amigos, e tenho uma dificuldade tremenda para manter os poucos que tenho; que não sou fã de novelas, que não gosto de TV, que não sei muito bem o que são blocos econômicos e qual a diferença entre democratas e republicanos, entre outras coisas. Na verdade, eu não quero saber. Ando muito orgulhosa e desinteressada para prestar atenção em fatos insignificantes no meu campo de visão limitado – apenas nesse momento. O que quero é prestar atenção no que eu quero verdadeiramente, mas o que eu quero de mentira, por vezes, me parece bem mais tentador.
Quero lembrar, em um futuro, como os nomes e sobrenomes são importantes. Também lembrarei que alguns são pisoteados por solas de sapatos de grife. Ainda terei esse gosto.
Desejo o final desse inferno com a mesma força que desejo a agilidade para que não me faltem às palavras e, assim, eu não possa dar fim aos meus pensamentos. Desejo da mesma forma como desejo que não esqueçam os meus desejos. Eu sempre me esqueço que tenho que tomar muito cuidado com os meus desejos. Talvez você possa me lembrar disso. Vivo numa fase de lua, porém, mais tarde, eu me lembre que tudo valeu à pena, ao passo que “a alma não pode ser pequena”.
Não tenho senso de humor, até mesmo para boas piadas, mas se você quiser contar até posso ouvir. Tudo bem! Eu as ouvirei assim mesmo… Eu sempre vou desejar que você sorria sozinho, só para ver os seus dentes contrastando com o seu sorriso.
Rolam na minha cabeça idéias loucas, estranhas, pensamentos ecléticos e misturados, prontos para serem transportados para a escrita. Às vezes, eu os odeio, às vezes os admiro, por vezes tenho ódio da importância que dou a eles. Não quero mais ligar para sentimentos, quero apenas enraizar a indiferença a cada início e não mais me importar com as coisas vindas do coração. Deixarei que estas se façam e que tomem conta do espaço que elas cativarem.
Sempre dou importância ao que não deveria, mas sei que as coisas só nos incomodam quando temos a certeza que também seríamos capazes de fazê-las. Assim, eu posso saber como fui injusta e como às vezes já fiz sofrer. Olha eu dando importância ao que deveria matar! Eu não sei viver sem essa mania. Vou me conceder o perdão. Ainda chegarei lá.
Sabe de uma coisa? Eu não saberia conviver com sua morte, mas convivo muito bem com sua ausência. Isso é doloroso e penoso, mas é o mais perfeito que posso ter longe de você. Às vezes eu quero arrancar a última gota de sentimento que ainda resta no meu sangue, porque já nem sei mais conviver com isso. Eu quero arrancar tudo o que só existe na minha mente.
Já me fartei com minha dramaturgia. Estou cansada de pensar, e o que mais me dilacera é saber que não doeu em ninguém. Acredito que tudo foi mentira. Deixa-me, por favor, não mais me importar com nada. Não quero mais gritar por um socorro sozinha e saber que não serei ouvida.
Hoje, não quero mais nada. Não quero gritar e não mais me permitirei às súplicas. Quero, apenas, que me deixe só e em paz, com tudo o que eu criei e com tudo que tanto amo. Não me perturbe como se fosse engraçado machucar alguém. Foste capaz de me fazer tantas coisas, até mesmo me fazer infeliz, mas tudo bem! Arremessarei tudo àquilo que me incomoda para um passado distante e lá ficará impregnado naquelas linhas tortas que nunca estiveram contínuas. Eu posso apenas me lamentar ridiculamente, porém, amanhã, terei a certeza que as ausências me confortam.
Andréia Cardoso
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