Hoje sei, e só com o passar do tempo e após derramar muitas lágrimas, que pude ter a certeza que, só podemos amar alguém se cultivarmos o amor próprio antes de tudo e em primeiro plano.

Será que é fácil manobrar o amor interior? Guiar de forma precisa o amor próprio? Procure observar, apenas durante um dia, e perceba quantas vezes você se julga incapaz e pensa que você é infeliz, afirmando para você mesmo que quem mora ao seu lado é sempre feliz. Engraçado como a vida do “outro” parecer ser perfeita para nós e acaba por nos servir de parâmetro.

 A forma que buscamos para relacionarmos conosco tem sido autodestrutiva, a começar pela leitura que fazemos de nós mesmos e a relação que temos com nossos sentimentos, com o nosso corpo, com a maneira de pensar e julgar. Acabamos por criar alguns vícios que se tornam nocivos para o nosso crescimento e evolução enquanto pessoas.

O julgamento pessoal deve ser reflexivo. Não basta apenas a crítica se não apontarmos soluções e adotarmos medidas que auxiliarão nas mudanças. Mudanças essas que devem ser fracionadas. O fato de reconhecermos nossas limitações já é um grande passo.

O tempo todo nós estamos falando de amor, o amor por Deus, pelos filhos, pela família, pelo próximo, pelo nosso amado, mas na verdade tudo isso, por muitas vezes, está preso apenas nas palavras e na fala. A maioria das pessoas não consegue nem ao menos compreender a força de um sentimento, que dirá saber a energia do amor, um amor verdadeiro que deveria fluir naturalmente e crescer no coração de todos.

Por que tememos tanto o amor? O que nos causa insegurança quanto aos nossos sentimentos? O que nos deixa contido? Por vezes até conseguimos entender porque muitas pessoas têm medo de amar. Na verdade o medo está em ser magoado, ferido, enganado, traído, preso (…). Isso acaba deixando muitas cicatrizes e dores pelo resto da vida. Por conseguinte, passaremos a rotular as pessoas e a conter o amor. Isso gerará um sofrimento e nos deixará sempre na defensiva.

Não consigo entender o medo do amor próprio. Você seria capaz de cometer o absurdo de traí-lo, magoá-lo, feri-lo? Creio que não há razões para isso. Caso sua resposta seja afirmativa, realmente você não merece ser amado por ninguém, nem por você mesmo, porque você nunca saberá amar alguém de verdade.

O que realmente significa o amor próprio? Qual seu reflexo em minha vida? O que eu faço para alimentá-lo? O que eu realmente penso sobre mim, sobre minhas ações, sobre minha alma, sobre minhas crenças, sobre minhas atitudes, sobre minhas derrotas e sobre minhas conquistas?

Quando adquirimos a compreensão do amor próprio, aprendemos verdadeiramente a amar tudo e a todos, a não pôr empecilhos, a não desacreditar dos sentimentos dos outros e a dar valor, e isso pode ser responsável por grandes mudanças na sua vida que, de fato, irão também refletir na dos outros e, por conseqüência, no mundo.

A partir desse momento, você poderá encarar seu rosto de frente e definitivamente passará a “amar o seu próximo como a si mesmo” porque terá a certeza que não haverá outra chance. O amanhã não nos pertence e o amor é um sentimento que é escrito a caneta e não pode ser apagado. Não existe o deixar de amar, existe sim, o novo amor.

Quando o amor acontece, ele simplesmente passará a existir eternamente. Alguns poetas afirmam que o amor morre assim que deixa de ser alimentado. Discordo de tal afirmação, uma vez que, penso que o amor, apenas estará dormente, e assim que despertar do sono, ressurgirá das cinzas do esquecimento e passará a ser um sentimento ainda mais forte. Mas, não esqueça que para amar o outro, é necessário amar a nós mesmo em primeiro plano.

Andréia Cardoso

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