Para deixar de ser quem eu sou, eu bebo.

Bebo para esconder em mim mesmo e misturar as personalidades para depois não ter a quem atribuir a culpa, pois, naquele momento, não era eu.

Quando bebo eu quero embaçar os problemas, mixar os pensamentos, experimentar o novo, permitir novas sensações. Quero apenas distrair e confundir minha mente e afogar as tristezas.

Meu drink é o ponto de fuga sem perspectiva certa e concisa. Por vezes, eu bebo para ter coragem de usar aquele discurso ensaiado e velado.  É nessas horas que expresso minhas vontades, meus quereres, minha insegurança.

Uso a face da bebida, para que, caso eu me arrependa de algo, tenha pronta a justificativa para meu vício. É, na escuridão do copo, que me tomarei para dentro de mim, pois não consigo encontrar os motivos certos e precisos. Essa sensação é a que procuro.

Quero esquecer, distrair, curtir com os amigos. Quero fazer parte do meio, do todo perverso, da cultura convencionada, do que é normal e ocasional ou mesmo social. Inserir-me no meio social é o que eu busco. Não quero estar fora do padrão e daquilo que foi convencionado.

E depois, quando acaba o efeito do álcool, o peso recai sobre os meus ombros e toda aquela euforia aparente esvai-se. Meu corpo volta a sentir todo o peso do mundo e, de uma forma cíclica, eu retorno a beber para alimentar o meu hábito e a eterna fuga da realidade.

É preciso rever a cultura que estamos tendo e que acabamos levando para o seio de nossos lares. É preciso reavaliar valores sociais que estão sendo deflagrados, e nós, enquanto indivíduos, podemos propor mudanças. Certas convenções acabaram por padronizar hábitos e servir como justificativas. Somente com o controle e com a domesticação dos corpos é que teremos êxito ao apontarmos mudanças numa determinada cultura, e esse passo deve começar dentro nos nossos lares.

O hábito é responsável pelas convenções.

Andréia Cardoso

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