Sou como um soldado, cansado e faminto, mas não deixarei de lutar. Não deixarei de lutar pela minha liberdade, pelos meus sonhos, pela minha paz e pelos meus ideais.

Eu tenho sonhos, e não serão os bombardeios, os mísseis, as bazucas e toda a artilharia que irão me impedir de sonhar, de ver o sol além das montanhas e do horizonte.

Quero dormir e acordar sem aqueles sons ensurdecedores, sem aquela sensação de que não acordarei mais ou, então, retornarei a dormir.

A minha visão está turva e meus olhos estão cobertos por poeira, o que me impede de ver além do que pretendo alcançar. Sinto-me impotente, não consigo delimitar os meus passos, meu caminho é incerto. Meu Deus!

Eu ouço os passos apressados, as pisadas fortes, os gritos e os sussurros. Ouço choros e gemidos. Esses sons me perturbam. Procuro pensar nas canções, busco as melodias na memória. Não consigo balbuciar uma palavra sequer e as palavras me fogem.

Eu tento atingir e capturar os sonhos. Remexo os pensamentos, mas não encontro nada além de grunhidos e cinzas. Cadê? Cadê as memórias? Eu grito, suplico e ninguém me ouve.

Agora, eu ouço risos, gargalhadas… Ah! São eles! Eles venceram! Roubaram de nós tudo o que tínhamos, destruíram nossas casas, mataram nossas mulheres e crianças. Restou apenas o que é meu, os meus sonhos. Eles não podem roubá-los.

Sonho com a paz.

Andréia Cardoso

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